Oficina 1 – Para onde vai o que comemos?

Este é o roteiro de uma oficina realizada com duas turmas do ensino fundamental da Escola Sá Pereira, no Rio de Janeiro. Cada turma tinha 25 alunos (com idade média de 9 anos). A oficina foi desenvolvida em um período: manhã, para a turma da manhã; e tarde, para a turma da tarde. Houve ainda mais um período, no qual os alunos visitaram a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a visita, eles realizaram um experimento de digestão de amido pela amilase presente em suas salivas e observaram o aumento da concentração de glicose no sangue (glicemia) dos professores após a ingestão de um alimento escolhido pelos alunos.

Essa oficina pode ser realizada em outras escolas, não necessariamente para a mesma faixa etária.

O objetivo dessa oficina é entender os processos de digestão dos alimentos e absorção dos nutrientes que ingerimos, reproduzindo, de forma lúdica e divertida, o que acontece com a comida, desde a mastigação até a defecação. Para isso, serão usados materiais que funcionam de maneira semelhante às partes do nosso sistema digestório.

Estrutura e desenvolvimento da oficina

Materiais para realização da oficina:

Esta oficina pode ser feita em grupos. A lista abaixo se refere aos materiais necessários por grupo, ou seja, as quantidades devem ser multiplicadas pelo número de grupos que serão feitos com os alunos.

  • Alimentos variados, normalmente consumidos no café da manhã (banana, mamão, biscoito, suco, leite, pão, etc);
  • 2 bandejas de plástico (40 x 20 cm), uma identificada como ‘boca’ e outra identificada como ‘corpo’;
  • tesoura sem ponta;
  • esmagador (pistilo, socador de alho, amassador de carne, etc.);
  • saco plástico com fecho hermético (tipo zip lock);
  • soluções feitas com corante comestível (ou outra tinta que possa ser diluída em água) nas cores laranja e azul – é importante alertar para o consumo impróprio!;
  • meia-calça (1 pedaço de 30 cm);
  • algo que possa absorver bastante água (pode ser fralda ou pedaço de pano de chão ou toalha de rosto);
  • 2 copos de isopor descartáveis.

Atividade

Nos links abaixo, há vídeos que podem servir de base para o desenvolvimento da atividade:

1) Cada grupo é estimulado a escolher alimentos para um café da manhã (pode-se sugerir que as crianças imaginem um personagem para tomar o café, podendo até dar um nome para ele). Os alimentos são colocados na bandeja identificada como ‘boca’.

2) Com a tesoura e o esmagador, os alimentos são cortados e esmagados, simulando o que aconteceria na boca com o auxílio dos dentes (chamar a atenção dos alunos de que nós usamos dois tipos de dentes: os que cortam, que são os dentes incisivos e caninos; e os que amassam, que são os dentes molares).

3) Então, adiciona-se um pouco de água, representando a saliva (destacar que a quantidade de saliva ainda aumenta quando estamos comendo). Depois, mistura-se bem os alimentos.

4) A mistura de alimentos é retirada da bandeja e colocada no saco plástico com fecho hermético (que simulará o estômago do personagem). No mesmo saco, adiciona-se um pouco de solução de cor laranja (representando o suco gástrico, que é lançado no estômago quando comemos). Em seguida, fecha-se bem o saco e mistura-se tudo o máximo possível, como acontece no estômago.

5) Os alimentos são transferidos do saco plástico para dentro do pedaço de meia-calça (que simula o intestino delgado recebendo o bolo alimentar). Adiciona-se também a solução de cor azul dentro da meia-calça (que representa o suco pancreático e a bile). A meia deve ser fechada com um nó em um dos lados. As mãos seguram a outra abertura. Então a meia é acomodada sobre a segunda bandeja, identificada como ‘corpo’.

6) Nesse momento, pressiona-se bem a meia-calça, movimentando-a cuidadosamente, de forma a simular os movimentos peristálticos do intestino. Com isso, será possível observar a saída de líquidos para a bandeja  do ‘corpo’ (como se fossem os nutrientes do alimento passando através da parede do intestino para o corpo).

Foto: Ser cientista

7) Em seguida, solta-se uma das aberturas da meia-calça e a massa de alimento que sobrou é transferida para o material que vai absorver a água (fralda, toalha ou pano de chão), simulando a absorção de água no intestino grosso.

8) Depois, é feito um buraco redondo no fundo de um dos copos de isopor (simulando o ânus) e bolo alimentar é colocado dentro desse copo.

9) O outro copo de isopor é usado para empurrar o bolo alimentar, de maneira que ele saia pelo buraco, simulando a eliminação das fezes.

Atividades adicionais

Dois experimentos podem ser acrescentados à oficina, como descrito a seguir.

Experimento 1: Digestão do amido pela amilase salivar

O primeiro experimento tem como objetivo mostrar que a digestão dos alimentos ingeridos começa já na boca, devido à ação da saliva, que contém uma enzima: a amilase salivar. Ela atua sobre o amido, um carboidrato muito consumido na nossa alimentação, presente no macarrão, na batata e no arroz. O amido é formado por moléculas de glicose ligadas entre si e a amilase salivar quebra as ligações que unem as glicoses no amido.

Materiais:

  • Saliva;
  • Biscoito de polvilho ou amido de milho;
  • Solução de iodo povidona (solução antisséptica de iodo, comprada em farmácias);
  • Copo descartável (150 mL);
  • Dois copos pequenos de vidro (50 mL);
  • Colher de sopa.

Passo a passo:

1) Coletar a saliva em um copo descartável, cuspindo-se dentro do copo.

2) Amassar o biscoito de polvilho até que um pó seja formado.

3) Colocar uma colher de sopa de biscoito no copo descartável com saliva e misturar bem.

4) Dividir a mistura igualmente em dois copos pequenos de vidro (para facilitar, adicionar um pouco de água para diluir melhor).

5) Colocar um dos copos no congelador (copo 1) e o outro copo (copo 2) em banho-maria, em água morna (37 oC).

6) Aguardar 30 minutos e retirar os copos do congelador e do banho-maria. Esperar o descongelamento do conteúdo do copo 1.

7) Adicionar 1 gota de solução de iodo povidona, agitar e observar a coloração.

Resultados esperados e discussão:

O iodo tem coloração alaranjada, mas, na presença de amido, forma um complexo com coloração azul-escura. Assim, quanto maior a quantidade de amido na amostra, mais escura será a coloração formada. O resultado esperado é que a coloração seja mais clara no copo aquecido (copo 2) quando comparado com o copo que foi congelado (copo 1). Isso ocorre porque a amilase salivar degrada o amido, diminuindo a sua concentração. A temperatura mais alta facilita essa degradação. Por isso, sugerimos o uso de banho-maria. Mas se isso não for possível, pode-se fazer o experimento em temperatura ambiente. É só esperar um pouco mais.

Experimento 2: Curva glicêmica após ingestão de diferentes alimentos

O segundo experimento tem como objetivo mostrar que o processo de digestão é importante para que os nutrientes sejam absorvidos e transportados para todas as partes do corpo através do sangue. Com ele, vamos medir o aumento da concentração de glicose (glicemia) após a ingestão de alimentos.

Materiais:

  • Alimentos variados, ricos em carboidratos (batata, arroz, pães);
  • Glicosímetro (comprado em farmácias);
  • Fitinhas para medidas da glicemia (compradas em farmácias).

Passo a passo:

Para este teste, precisamos da ajuda do professor, que deve ficar em jejum por pelo menos 3 horas.

1) Medir a glicemia do professor em jejum.

2) Pedir para que o professor coma algum alimento – pode ser fruta, chocolate, biscoito ou qualquer outra coisa que se queira testar.

3) Medir a glicemia nos tempos de 15, 30 e 45 minutos após a ingestão do alimento.

4) Construir um gráfico com os valores de glicemia obtidos em cada tempo.

Resultados esperados e discussão:

Observando o gráfico, podemos ver que o valor da glicemia aumenta rapidamente logo após a ingestão do alimento e depois começa a diminuir, retornando para os níveis iniciais. Isso indica que o alimento é transformado em glicose durante a digestão e que a glicose é absorvida de forma rápida pelo sangue. A diminuição posterior da glicemia mostra que os nutrientes são usados pelos tecidos do corpo como fonte de energia e que essa é a função da alimentação.

Veja fotos das oficinas realizadas:

Escola Sá Pereira - 1° dia - Rio de Janeiro

Escola Sá Pereira na UFRJ - 2° dia - Rio de Janeiro