Oficina 2 – Plantas Inseticidas

Este é o roteiro de uma oficina realizada com duas turmas do ensino fundamental da Escola Sá Pereira, no Rio de Janeiro. Cada turma tinha 25 alunos (com idade média de 7 anos). A oficina foi desenvolvida em um período: manhã, para a turma da manhã; e tarde, para a turma da tarde. Houve ainda mais um período, no qual os alunos visitaram a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a visita, eles conheceram um insetário e observaram insetos ao microscópio.

Essa oficina pode ser realizada em outras escolas, não necessariamente para a mesma faixa etária.

O objetivo da oficina é mostrar que diferentes compostos inseticidas podem ser extraídos de diversas plantas. Para isso, são planejadas atividades em que os alunos testam o extrato de diferentes plantas, de modo a descobrir suas propriedades inseticidas ou repelentes.

A oficina não está baseada em protocolos previamente definidos. As atividades experimentais aqui descritas resultaram de um estímulo inicial para que as crianças formulassem suas próprias perguntas e encontrassem meios de respondê-las usando a experimentação.

Nesse contexto, é importante deixar claro logo de início que todos os participantes atuarão como cientistas durante o desenvolvimento da oficina.

Estrutura e desenvolvimento da oficina

Materiais para realização da oficina:

Como não há como prever ao certo quais perguntas vão surgir e quais experimentos serão conduzidos para respondê-las, é necessário providenciar antes materiais potencialmente úteis para o desenvolvimento das atividades experimentais. A seguir, estão listados os materiais levados para esta oficina.

  • 20 placas de Petri plásticas;
  • Plantas de interesse (por exemplo, nesta atividade usamos crisântemo e citronela, dentre outras);
  • 4 cadinhos e pistilos (ou recipientes que permitam o esmagamento das plantas a serem testadas);

    Foto: Ser Cientista

  • Espátulas;

  • Álcool 92,8% ;

  • Água;

  • Biscoitos de arroz;

    Foto: Ser Cientista

  • insetos a serem testados (nesta atividade, foram usados besouros de farinha ou arroz, do gênero Tribolium). Os insetos foram mantidos em potes de sorvete com farinha e pequenos furos na tampa.                                                                           

  • Se possível, pode-se acrescentar também o uso de um destilador caseiro, montado com copos de acrílico, mangueiras de plástico, ferro de solda e cola quente, de acordo com descrição de Guimarães e colaboradores, disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc11/v11a10.pdf

Passo a passo das atividades:

1) Para começar, é importante perguntar para os alunos como eles pensam que é um(a) cientista e o que ele(a) faz. Em seguida, ressaltar que todos da turma serão cientistas durante a atividade. Nesse momento, são distribuídos jalecos e luvas descartáveis para as crianças vestirem (isso tem um grande efeito sobre elas – serve para que realmente incorporem o personagem ‘cientista’ que serão a partir daí).

2) O assunto da atividade é introduzido para os alunos. Nesse caso, fala-se sobre a existência de substâncias que agem como inseticidas ou repelentes de insetos. Depois, pergunta-se às crianças de onde elas acreditam que essas substâncias possam ser retiradas.

3) No momento em que as crianças sugerem plantas como possíveis fontes de inseticidas e repelentes, pergunta-se como elas imaginam que essas substâncias poderiam ser separadas de uma planta inteira. Pode-se dizer que existem diferentes formas de se extrair compostos de plantas, dentre elas, esmagar bastante a parte da planta de onde se queira extrair algo, junto com água ou álcool, que serão os solventes.

4) A turma deve ser separada em grupos (o ideal é que os grupos tenham de 4 a 6 crianças). A partir daí, cada grupo terá a supervisão de um monitor.

5) Cada grupo escolhe, em conversa com o monitor, quais plantas gostaria de testar e o(s) método(s) de extração que gostaria de usar. Em seguida, as crianças são levadas a observar os insetos. Depois, deve-se induzi-las a imaginar como testar as propriedades das substâncias isoladas. Mostrando os biscoitos de arroz e como os insetos postos em contato com eles passam a comê-los, as crianças vão sugerir que o teste seja feito pingando o extrato nos biscoitos, para que depois os insetos sejam postos em contato com os biscoitos embebidos no extrato. Nesse momento, é muito importante fazer com que as crianças percebam que, para o experimento poder ser interpretado, alguns ‘controles’ serão necessários. Por exemplo, se o método de extração escolhido for esmagar as folhas da planta a ser testada com álcool, deve haver dois controles: um biscoito de arroz sem nada acrescentado e outro apenas com álcool, como mostrado na figura a seguir. Assim, será possível ter certeza de que uma eventual ação inseticida ou repelente foi provocada pela planta, e não pelo álcool.

Foto: Ser Cientista

Exemplo: experimento realizado com extrato da planta citronela. Os extratos foram preparados com álcool como solvente (A). Os grupos experimentais consistiram em um biscoito de arroz tal como vem no pacote (B), um biscoito embebido somente em álcool (C) e um biscoito embebido no extrato de citronela (D). Os insetos foram acrescentados em seguida e observados.

6) Deixar as crianças prepararem os extratos conforme decidiram. Exemplo: colocar água ou álcool no cadinho; colocar a planta de escolha no cadinho (cortada, rasgada, etc.); amassar com o pistilo. Uma alternativa é aquecer as amostras em uma placa aquecedora e destilar o extrato, recolhendo a amostra destilada para teste.

7) Deixar a crianças aplicarem os extratos (e seus respectivos controles) nos biscoitos de arroz, dispostos em placas de Petri.

8) Com o uso de uma espátula, os insetos Tribolium são colocados em cima de cada biscoito (entre 5 a 10 insetos por biscoito).

9) O grupo deve observar e anotar se os insetos permanecem em cima ou se afastam do biscoito; observar e anotar se os insetos estão morrendo ou não e, em caso positivo, em quanto tempo. É importante incentivar as crianças a discutirem os resultados observados.

Veja fotos das oficinas realizadas:

Escola Sá Pereira - no Rio de Janeiro