Oficina 3 – Plantas: da biologia às suas aplicações biotecnológicas

Este é o roteiro de uma oficina realizada com uma turma de 50 estudantes do ensino médio de escolas públicas em Santo Domingo, República Dominicana. Os estudantes foram selecionados para participar do evento II Campamento de Verano Innovador, em que, durante 30 dias, eles ficam imersos em uma série de oficinas e experiências com o objetivo de estimulá-los a seguir carreiras profissionais baseadas em inovação. Nesse evento, a oficina ‘Plantas: da biologia às suas aplicações biotecnológicas’, teve duração de três manhãs. As atividades dessa oficina podem ser aplicadas em outras escolas, não necessariamente para a mesma faixa etária.

As atividades experimentais realizadas resultaram de um estímulo inicial para que os estudantes formulassem suas próprias perguntas e encontrassem uma forma de respondê-las por meio de experimentação.

Todas as atividades do primeiro e segundo dias foram realizadas no laboratório UASD, que tinha estrutura adequada para o número de alunos participantes da oficina. É importante destacarmos que todos os participantes atuarão como cientistas durante o desenvolvimento da atividade.

Estrutura e desenvolvimento da oficina

 

Materiais para realização da oficina:

  • 20 placas de Petri plásticas;
  • Meio para crescimento de micro-organismos LB-agar ou equivalente, que pode ser preparado com gelatina ou caldo de carne como descrito em: https://novaescola.org.br/conteudo/385/como-ensinar-microbiologia
  • 4 cadinhos e pistilos (ou recipientes análogos que permitam o esmagamento das plantas a serem testadas);

    Foto: Ser Cientista

  • Caso seja possível, pode-se acrescentar também o uso de um destilador caseiro, montado com copos de acrílico, mangueiras de plástico, ferro de solda e cola quente, de acordo com descrição de Guimarães e colaboradores disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc11/v11a10.pdf

  • Espátulas;

  • Álcool 92,8 %;

  • Água.

Primeiro Dia

1) Abertura de atividades: apresentação da proposta aos estudantes

Primeiro, foi feita uma breve apresentação sobre as plantas e sua biologia, além de seu possível uso como alimento ou medicamento. Em seguida, realizamos uma atividade de reconhecimento de diferentes folhas, na qual cada aluno recebeu uma folha diferente e algumas réguas e lupas foram disponibilizadas. Cada aluno teve que observar e fazer uma descrição detalhada da folha que recebeu, escrevendo tudo em um papel. Depois, as descrições foram trocadas entre eles, para que outros alunos tentassem reconhecer a folha descrita no papel que recebeu. Nessa atividade, mostramos a importância de observar e descrever bem nossas observações na ciência.

Foto: Ser cientista

2) Discussão sobre as plantas, suas características enquanto seres vivos e suas aplicações biotecnológicas

No final da manhã, os alunos foram divididos em grupos. Cada grupo levantou questões que vieram à cabeça sobre as plantas usadas na atividade e seus possíveis usos. Todas as perguntas foram escritas no quadro.

Foto: Ser cientista

3) Proposta e execução de experimentos

A partir deste momento, cada grupo começou a selecionar perguntas e a discutir como poderiam respondê-las experimentalmente, com os materiais disponibilizados.

Segundo Dia

1) Proposta e execução de experiências (continuação do dia anterior)

Esta manhã foi dedicada à atividade experimental. A partir da discussão do dia anterior e da disponibilidade de materiais, cada grupo realizou experimentos para responder suas perguntas.

Terceiro Dia

1) Análise dos resultados e apresentação das atividades

As atividades do terceiro dia são semelhantes às do segundo. A partir dos desdobramentos surgidos após a observação dos resultados obtidos no segundo dia ou a partir da observação de uma nova fotografia, os grupos criam e realizam experimentos para responder suas perguntas.

Passo a passo das atividades:

1) Para começar, é importante perguntar para os alunos como eles acham que um(a) cientista é e o que ele(a) faz. Em seguida, deve-se ressaltar que todos da turma serão cientistas durante a atividade. Então, são distribuídos jalecos e luvas descartáveis para os alunos vestirem (isso tem um grande efeito sobre eles – serve para que realmente incorporem o personagem ‘cientista’ que eles serão a partir dali.

2) Nesse momento, cada grupo já tem em mente qual pergunta gostaria de responder. Um exemplo dentro deste tema que envolve o potencial de compostos retirados de plantas como medicamento é analisar se plantas comuns na região onde os alunos moram servem para curar machucados ou fazer chás contra algumas doenças, como eles escutam na cultura popular.

3) É importante conversar com o grupo e explicar que, para vermos algum efeito de compostos das plantas em feridas, por exemplo, precisaríamos de mais tempo de experimento. Nesse momento, apresentamos um meio de cultura bastante nutritivo para o crescimento de muitos micro-organismos, inclusive aqueles que podem acelerar uma infecção em uma ferida ou outras doenças. Nesse meio, é fácil ver o crescimento dos micro-organismos em algumas horas. Assim, eles podem preparar o meio, como descrito acima. O meio é distribuído em placas de Petri.

4) Para cultivar os micro-organismos, basta encostar algo que potencialmente contenha micro-organismos nas placas de Petri com o meio de cultivo. Conversando com os alunos sobre possíveis fontes de micro-organismos, eles facilmente irão sugerir arrastar as próprias mãos sem lavar no meio, ou esfregar um cotonete na maçaneta do banheiro, ou mesmo na pia do banheiro, e depois arrastá-lo na placa com o meio. Nessas placas, devem aparecer colônias de bactérias visíveis a olho nu no dia seguinte.

5) Na próxima etapa, os alunos sugerem quais plantas utilizarão (por exemplo, babosa ou manjericão) e como extrairão os componentes que eles acreditam ter potencial de medicamento. Eles podem querer simplesmente amassar bastante a planta na presença de etanol, água ou óleo. Outra possibilidade é utilizar o destilador caseiro descrito nos materiais, ou mesmo testar várias extrações diferentes de uma mesma planta e comparar os resultados.

Veja fotos das oficinas realizadas:

II Campamento de Verano Innovador, na República Dominicana